O título do primeiro álbum solo autoral de Deborah Levy, Apimentada, remete de imediato ao tom erotizado de boa parte da música que rege o mercadão pop funk sertanejo. Mas tal associação jamais condiz com a natureza do som ouvido no disco editado de forma independente.

    Como a própria artista conceitua em texto escrito para o encarte da edição em CD do álbum, a ardência de Apimentada evoca a inquietude com que Levy sintetiza 23 anos de trabalho como compositora nas 11 músicas do disco.

    Deborah Levy é pianista carioca que teve criação parcialmente mineira, mas que, desde os 18 anos, mora na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ). E Apimentada é disco basicamente instrumental, ainda que duas das 11 músicas tenham letras cantadas.

    Lua e sol tem os versos cantados por Vidal Assis, parceiro da artista na composição do tema. Já a música-título Apimentada (Deborah Levy e Clara Levy) incorpora rap ao tom fusion da faixa.

    Em essência, Deborah Levy segue no álbum Apimentada a trilha da música brasileira com o toque jazzístico do piano, instrumento que entrou na vida da artista aos 10 anos de idade como presente da mãe atenta aos sinais musicais da filha.

    Egressa de bandas cariocas como Celebrare (popular nos anos 1990 e nos anos 2000) e Linha 176 (quinteto de jazz integrado pela pianista em 1994), Deborah Levy passa ritmos brasileiros pelo filtro do jazz neste primeiro álbum solo, gravado basicamente por trio formado pela pianista com o baixista Geferson Horta e o baterista Tonho Costa, mas com intervenções de músicos convidados como a saxofonista Daniela Spielmann.

    Diversas levadas brasileiras são detectadas no som fusion do disco Apimentada. Se Canto latino nº 1 (Deborah Levy) embute a pisada do baião, E aí veio o Carnaval (Deborah Levy) persegue o passo do frevo na primeira parte. Já Maracatu do Rio (Deborah Levy), tema de 2003, expõe já no título o tom miscigenado das faixas.

    Também de 2003 é Um choro para Clara, composto por Deborah para a filha Clara Levy, que faz o rap da já mencionada música-título Apimentada.

    O rap é o tempero contemporâneo desse som que busca no jazz brasileiro a ardência da música instrumental feito em solo nacional.

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