Quem for ao Metronomy no Lollapalooza SP verá uma banda se esforçando para fazer as pessoas se divertirem, garante o vocalista Joseph Mount ao G1. O quarteto inglês não quer complicar as coisas: faz indie pop dançante fácil de assimilar. Mas também não quer cair no genérico…

    No quinto disco (“Summer of 08”, de 2006), a banda segue no clima que é explicado pela sua origem geográfica: Devon, bem no sul da Inglaterra, com temperaturas um pouco mais amenas, sol e praia.

    Se as melodias solares deles ganhassem um remix EDM com “featuring” de uma cantora pop do momento, tocaria até não poder mais. Mas eles preferem algo mais sutil.

    Joseph compartilhou no fim do ano passado no Twitter do Metronomy um quadrinho que resume sua queixa em relação ao mercado da música atua. Na tirinha, um artista oferece sua obra a um homem de negócios, que corta todas as arestas e empilha no meio de outras iguais.

    <blockquote class=”twitter-tweet” data-lang=”pt”><p lang=”en” dir=”ltr”>pitch <a href=”https://t.co/BMmiX6N93l”>pic.twitter.com/BMmiX6N93l</a></p>&mdash; Alex Norris (@dorrismccomics) <a href=”https://twitter.com/dorrismccomics/status/914899194284036096?ref_src=twsrc%5Etfw”>2 de outubro de 2017</a></blockquote>
    <script async src=”https://platform.twitter.com/widgets.js” charset=”utf-8″></script>

    Uma frase acompanhava o quadrinho: “Rápido guia visual para a música pop na era do streaming”.

    O G1 ouviu por telefone suas queixas e perguntou sobre o show e relações com o Brasil: um cover de lambada e contato com o CSS, na época em que a banda paulistana teve sucesso na Europa. Leia abaixo:

    G1 – Lembro de um vídeo de vocês tocando “Chorando se foi (lambada)” em 2011, meio de brincadeira. Quem mostrou essa música para vocês?

    Joseph Mount – Essa era a música favorita do meu avô. Claro, foi um hit na Inglaterra e no resto do mundo nos anos 90. É uma canção dançante e muito boa. Sei que é o nome de uma dança especial. Acho que ela foi lançada quando eu tinha uns 10, 11 anos. E eu gostava mesmo quando criança, sem nenhuma ironia.

    G1 – Não sei se você ouviu aí que a cantora original desta música foi assassinada no ano passado.

    Joseph Mount – Que louco isso… Muito triste.

    G1 – Outra conexão de vocês com o Brasil foi o CSS. Em uma entrevista recente você os usou como exemplo de banda que não sobreviveu ao hype. Como foi seu contato com eles e como o Metronomy não sumiu como eles?

    Joseph Mount – Eu me lembro em 2006 ou 2005 a Lovefoxxx (vocalista do CSS) entrou em contato comigo no Myspace. E de repente vi que eles tinham ficado muito populares na Inglaterra. Fizemos uma turnê da NME com eles e o Justice. Pelo que entendi, são todos designers, artistas. A música para elas era como um hobby. Mas tinham músicas ótimas, que fizeram muito sucesso. E isso criou muita pressão.

    Foi diferente do Metronomy. Nosso sucesso foi mais devagar. Quanto tocávamos com o CSS, ninguém sabia quem a gente era. A gente levou 3 ou 4 anos para chegar ao sucesso que eles conseguiram logo no começo. Só nos mantivemos porque a popularidade foi construída devagar.

    Não é que o CSS era um grupo de pessoas fracas. É que esse tipo de pressão pode afetar qualquer pessoa.

    G1 – A música de vocês é dançante, mas ao mesmo tempo com arranjos e texturas bem trabalhados. Você acha que o show é mais para ouvir atento a estes arranjos ou para dançar?

    Joseph Mount – Quando eu vou a shows, não gosto de dançar, gosto de observar e ouvir. Mas no Metronomy tentamos fazer todos se divertirem e dançarem. Esquecer das outras coisas. Se você paga para ver uma banda, quer que ela te divirta. Temos um objetivo simples com o show: fazer da forma mais divertida que podemos. Mas não significa que você tem que a dançar.

    Joseph Mount, líder do Metronomy (Foto: Divulgação / Gregoire Alexandre)

    Joseph Mount, líder do Metronomy (Foto: Divulgação / Gregoire Alexandre)

    G1 – Você compartilhou no Twitter do Metronomy um quadrinho ironizando o mercado de streaming. Acha mais difícil hoje fazer algo original?

    Joseph Mount – O quadrinho é engraçado porque ilustra a visão de mercado. A graça é mostrar como é querer ser muito popular e estar em uma grande gravadora. Mas ainda dá para fazer coisas boas e interessantes para ser ouvidas em streaming.

    Eles seguem fórmulas de uma maneira cínica – aquelas coisas de priorizar os 20 primeiros segundos da canção, etc. Se eu sentisse essa pressão, eu teria que me corromper. Mas acho que, por sorte, podemos ao menos tentar fazer algo interessante na era do streaming. Vamos ver…

    G1 – Sua música não está tão distante assim das coisas que têm ganhado bilhões de audições em streaming. É um pop dançante que, se seguisse algumas dessas fórmulas, poderia chegar a este resultado, não?

    Joseph Mount – Eu acho que a gravadora ia gostar muito disso. Adoraria triplicar meu público, mas não vou deixar de fazer música com personalidade. Acho que é impossível ter este sucesso todo se você não mude o que você faz para ser mais atrativo. Acho que o pulo de onde estamos agora para ter bilhões de plays teria ser drástico, e eu não quero fazer isso.

    G1 – Realmente, a música “Night owl” tem uma introdução gigante, demora um minuto para começar, é uma coisa muito errada no Spotify, pode incentivar a pessoa a pular a faixa.

    Joseph Mount – É, sempre houve esse argumento de talvez a introdução é muito longa. Mas eu só faço a minha música e dou para a gravadora. Talvez alguém do Spotify ache errado.

    G1 – Sobre o disco “Summer 08” (2016), como foi a experiência de fazer tudo sozinho e depois se reunir com a banda nesta turnê?

    Joseph Mount – Eu sempre fiz os discos mais ou menos assim. A diferença é que este veio depois de outro que envolveu mais pessoas (“Love letters”). Mas acho mais simples trabalhar assim. Quando nos reunimos para esta turnê, ficamos surpresos com o quanto curtimos estar juntos. A pausa fez a empolgação aumentar e todo mundo ficar apaixonado pelo trabalho. Foi ótimo, tivemos shows incríveis.

    G1 – E o próximo disco, já está trabalhando nele?

    Joseph Mount – Sim, estou escrevendo. Está com muito groove. Tem influências de Manchester – Stone Roses, essas coisas. Você vai ter que esperar…

    No Comment

    Comments are closed.