“Nosso futuro repete os erros do passado / Novos venenos inventados / Na prateleira / De um mercado”, canta Rodrigo Suricato em versos da balada Um dia igual ao outro.

    Composição de autoria do próprio Suricato, cantor efetivado em 2017 no Barão Vermelho como vocalista e guitarrista substituto de Roberto Frejat, Um dia igual ao outro é uma das nove músicas que compõem o cancioneiro inédito e autoral de Viva, o primeiro álbum do grupo com repertório novo em 15 anos.

    Arremessado nas plataformas nesta sexta-feira, 16 de agosto, o álbum Viva pode ser sintetizado pelos versos supracitados da canção de Suricato. Trata-se bom disco que vislumbra (algum) futuro para um Barão Vermelho revigorado pela presença enérgica de Suricato.

    Capa do álbum 'Viva', do Barão Vermelho — Foto: Arte de Alberto Pereira

    De certa forma, esse futuro repete o passado por jamais promover ruptura estética com a história pregressa da banda formada em 1981, projetada em 1982 com Cazuza (1958 – 1990) no posto de vocalista (e excepcional letrista) e reformulada em 1985 com a debandada de Cazuza, substituído pelo parceiro Frejat.

    Sintomaticamente, no primeiro minuto da (ótima) música que abre o disco, Eu nunca estou só (Guto Goffi, Maurício Barros, Rodrigo Suricato, Fernando Magalhães e BK), o canto de Suricato evoca a voz de Frejat. É como se o Barão sinalizasse que nada mudou tanto assim, somente o vocalista.

    E isso fica claro ao longo das nove músicas do álbum. Mesmo que a mencionada Eu nunca estou só tenha sido adornada com o rap do convidado BK, a sonoridade da faixa remete ao blues enraizado no som roqueiro do Barão.

    “Ei / Se liga aí / Eu ainda não morri / Eu tô aqui / Vou fazer barulho / Não vou desistir”, manda recado Suricato na vibe stoniana do rock Tudo por nós 2 (Maurício Barros e Guto Goffi).

    A banda Barão Vermelho apresenta nove músicas autorais no álbum 'Viva' — Foto: Leo Aversa / Divulgação

    Primeiro álbum do Barão sem Frejat, Viva oficializa a reintegração do tecladista Maurício Barros ao grupo. Membro fundador da banda, Barros tinha deixado de ser integrante oficial do Barão em 1988, embora deste então tenha feito sucessivas conexões com o remanescente Guto Goffi (bateria) e com Fernando Magalhães (guitarra).

    “A gente é o que é / Não tem jeito / A gente é como é / Cada um de um jeito”, joga com as palavras Maurício Barros, letrista e único compositor do rock Jeito.

    Em Viva, o Barão Vermelho celebra a vida. O jorro pop de Por onde eu for (Maurício Barros e Rodrigo Suricato) desliza feliz na atmosfera roqueira do disco produzido por Maurício Barros com eficazes arranjos assinados pelo Barão Vermelho.

    Primeiro álbum do Barão sem Frejat, Viva oficializa a reintegração do tecladista Maurício Barros ao grupo. Membro fundador da banda, Barros tinha deixado de ser integrante oficial do Barão em 1988, embora deste então tenha feito sucessivas conexões com o remanescente Guto Goffi (bateria) e com Fernando Magalhães (guitarra). "A gente é o que é / Não tem jeito / A gente é como é / Cada um de um jeito", joga com as palavras Maurício Barros, letrista e único compositor do rock Jeito. Em Viva, o Barão Vermelho celebra a vida. O jorro pop de Por onde eu for (Maurício Barros e Rodrigo Suricato) desliza feliz na atmosfera roqueira do disco produzido por Maurício Barros com eficazes arranjos assinados pelo Barão Vermelho.

    Faixa previamente apresentada em single lançado em novembro de 2018 e situado na fronteira entre o rock e a balada, A solidão te engole vivo (Maurício Barros, Guto Goffi e Fernando Magalhães) engrossa a celebração, já tendo sinalizado no ano passado um digno disco, fiel ao legado do Barão.

    Viva jamais pisa fundo nas letras como os álbuns emblemáticos da fase com Cazuza e como alguns do longo período com Frejat. Mas a pegada forte do grupo está toda lá, valorizando músicas medianas como o rock Vai ser melhor assim (Rodrigo Suricato), faixa aquecida pelos encontro das guitarras de Fernando Magalhães e Rodrigo Suricato.

    As baladas Castelos (Maurício Barros) e Pra não te perder (Guto Goffi e Maurício Barros) – canção de tom folk levada nos violões e gravada com adesão vocal da cantora Letrux – completam álbum capaz de fazer (algum) barulho na prateleira virtual de um mercado surdo a tudo que busque um sentido vago de razão para a vida celebrada pelo Barão Vermelho com a corrente superficialidade pop em Viva. (Cotação: * * * 1/2)

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