O novo disco de Anitta intitula-se “Kisses”, foi lançado oficialmente no dia 5 de abril e tem um formato que garante a ela um lugar na seleta galeria das musas pop mais para se ver do que para se ouvir. Não que a audição, pura e simples, não agrade.

    Anitta é boa cantora. E as dez faixas selecionadas, todas inéditas, devem agradar aos funkers, rappers, rockers e, em especial, curtidores do pop latino internacional. Detalhe: as canções são cantadas em inglês, espanhol e português. Qualquer outra avaliação sobre virtudes e defeitos do disco, deixo por conta de Mauro Ferreira, que entende de Anitta mais e melhor que eu.

    Registro, porém, o fato de nove das dez canções do disco virem acompanhadas de clipes espetacularmente produzidos, nos quais a imagem é bem mais eloquente do que o som. Como, aliás, acontece com outras musas. Já há quem proponha nome próprio para este tipo de disco: “álbum visual”. Embora, diga-se, não se trate de coisa nova a combinação de música e imagem no mundo pop.

    De início, numa era pré-clipe, a combinação acontecia nos palcos em que os primeiros ídolos do rock se exibiam. Foram justamente esses ídolos que acrescentaram, ao apelo de suas vozes, a graça e o arrebatamento de sua dança.

    Como Elvis Presley, para citar exemplo maior. Ou como Michael Jackson, que nunca chegou aos pés de Elvis como cantor, mas o superou, longe, como dançarino. Já então, a era do clipe tivera início. E logo as mulheres aderiram a ela.

    O que há de incomum no disco de Anitta é que cada faixa é uma associação de música e imagem funcionando como algo indissolúvel. Antes, na quase totalidade dos casos, o clipe era uma recurso para tornar conhecida a chamada “faixa de trabalho” do disco.

    Anitta mesma usou isso algumas vezes. Agora, talvez acreditando que ninguém mais ouve um CD inteiro, dez, dozes faixas, só áudio, nenhuma imagem, tenha chegado o momento de fazer de “Kisses” o passaporte para entrar em definitivo na tal galeria de musas.

    Seus mais fiéis admiradores já se apressam em recomendar cuidado a Beyoncé, como se de fato a brasileira de Honório Gurgel estivesse muito perto de desbancar a americana do Texas. Talvez estejam certos. Ou talvez, com Madonna aos sessenta, haja lugar para as duas.

    Em “Kisses”, não há propriamente dança. Toda a ação dos clipes baseia-se em gestos e posições “coreografados” na tela de edição. No caso, é a sensualidade que sempre dá o tom, com destaque para as partes do corpo que – Anitta sabe – lhe são mais generosas.

    Na voz, apenas na voz, ela só aposta mesmo na última faixa, “Você Mentiu”, fox quadradinho que fez com parceiros e gravou com Caetano Veloso, ambos parados em volta dos microfones de um estúdio de som onde, finalmente, Anitta liberta a boa cantora que é.

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